Dra. Maria Cláudia Brito

Intervenção Precoce, Autismo e desenvolvimento de Linguagem

As características do desenvolvimento de uma criança podem, evidentemente, variar de criança para criança! Algumas demoram um pouco mais e outras um pouco menos para apresentar as primeiras palavras, por exemplo.

 

Frequentemente, sou questionada por familiares e também profissionais que trabalham com crianças pequenas, como professores da Educação Infantil sobre o “ritmo de cada criança” e sobre qual idade em que as primeiras palavras ocorrem, o que é “normal” ou não e quando procurar ajuda de um profissional especializado, quando há suspeita de atraso no desenvolvimento da criança. Além disso, outra queixa constante é de que o médico disse que a criança irá falar “no tempo dela” ou “que antes de a criança completar 4 ou 5 anos de idade, tudo se resolverá e ela começará a falar”.

 

O desenvolvimento de uma criança depende de vários aspectos, como por exemplo: os estímulos do ambiente, idade de ingresso na escola, saúde física, deficiências auditivas, alterações neurológicas e também o fato de apresentar autismo/transtorno do espectro do autismo.

 

Contudo, se eu pudesse responder a todos os pais que buscam por esta orientação, eu recomendaria que busquem ajuda assim que a suspeita ocorrer. Você não precisa esperar! Informe-se, peça ajuda!

Estudos científicos mostram que quanto mais cedo um bebê/ a criança com atraso no desenvolvimento receber os estímulos certos, muito mais promissor será seu desenvolvimento. Este fato está diretamente relacionado à neuroplasticidade ao longo da primeira infância. Para crianças com autismo/transtorno do espectro do autismo este fato não é diferente e pode significar uma mudança importante na trajetória de vida da criança e sua família.

 

Neste breve artigo, me atentarei principalmente ao desenvolvimento da linguagem das crianças com TEA/autismo, por ser esta minha especialidade principal como fonoaudióloga. Entretanto destaco, que em crianças com TEA/autismo há uma série de aspectos relacionados a 1. dificuldades na comunicação social e a 2. padrões de comportamento restritos e repetitivos, que precisam ser cuidadosamente avaliados.

 

Portanto cada dia é precioso! A cada dia que passa você poderia estar aumentando as chances de uma criança que não fala começar a falar e de uma criança que fala, mas está com atrasos melhorar sua fala! Isso influenciará também em várias outras habilidades e dificuldades da criança. Por exemplo, a escrita e o desempenho escolar fazem parte do desenvolvimento da linguagem e poderão apresentar maiores dificuldades para uma criança com atraso de fala, que não recebeu o apoio necessário. As interações sociais também ficam prejudicadas quando a criança não consegue se fazer entender  e comunicar de forma eficaz o que ela sente e deseja.

Maria Claudia Brito – Fonoaudióloga. Atende em Consultório na cidade de Bauru/SP. Pós-Doutora e Doutora (PhD) em Educação, Mestre em Psicologia (todos com ênfase em Autismo), UNESP/SP. Professora Universitária, Pesquisadora do CNPq/SET-A e do Grupo de Pesquisa CNPq Diferença, Desvio e Estigma, UNESP/SP. Fundadora e Diretora Geral no Instituto Nacional Saber Autismo.

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