Autismo em bebês: sinais ajudam a identificar

“A partir dos dois primeiros meses de vida é possível detectar se um bebê possui traços de autismo, basta atentar-se à interação dele por meio de olhares e gestos”. O alerta é do psiquiatra infantil Walter Camargo Júnior, o primeiro médico, que se tem notícia, a diagnosticar o autismo em bebês no País. No último final de semana, Walter Júnior esteve em Bauru para o 1.º Simpósio Presencial Saber Autismo (leia mais nesta página. Na ocasião, ele indicou alguns sinais simples e que podem ajudar os pais a identificar o transtorno antes de a criança completar 2 anos.

“Geralmente, a criança autista não interage, quase não olha para a mãe quando mama, não brinca com os dedos, não levanta os braços para ser retirada do berço, não reconhece o som de seu nome, a voz da mãe e de outras pessoas próximas, não dorme o esperado e deita em posições estranhas. Demonstra claro prejuízo na comunicação, não aponta as coisas que quer e não mostra prazer. O problema, às vezes, pode até levar a pessoa a achar que seu filho é surdo ou enxerga pouco”, alerta o psiquiatra.

Ainda assim, os sinais podem variar muito de criança para criança e é preciso atenção dos pais. Segundo Walter Júnior, é comum o diagnóstico ocorrer depois dos 4 ou 5 anos. “Mas se o transtorno é descoberto antes dos 2 anos, a chance de recuperação melhora muito. O problema é que as pessoas têm medo do diagnóstico antes dos seis meses, exceto quando a criança tem outra doença conjunta, como a paralisia cerebral, por exemplo”, comenta o médico.

Falta Informação

O fato de as faculdades de medicina e cursos de formação na área de Saúde em geral não possuírem o autismo em sua grade curricular distancia ainda mais o diagnóstico do transtorno. Estima-se, no entanto, que uma a cada 68 pessoas nasça com algum traço de autismo no mundo por ano. Foi justamente com objetivo de capacitar profissionais e divulgar o transtorno que o Instituto Nacional Saber Autismo realizou, em Bauru, o 1.º Simpósio Presencial Saber Autismo. Coordenado pela fonoaudióloga Maria Cláudia Brito, fundadora do instituto, o evento reuniu mais de cem profissionais da área da saúde e humanas no Obeid Plaza Hotel. “Falta informação, faltam políticas públicas e profissionais capacitados. O autismo ainda é desconhecido e tratado como esquizofrenia e transtorno de ansiedade por alguns profissionais”, pontua Maria Cláudia.

Ao receber o diagnóstico do autismo, contudo, o paciente consegue acesso ao tratamento gratuito via Sistema Único de Saúde (SUS). “Os planos particulares também cobrem o tratamento”, observa o médico.

Tratamento

O autismo não tem cura, mas é tratável por meio de terapias multidisciplinares. Medicações não específicas também podem ajudar no tratamento. Daí a importância do diagnóstico e da possibilidade de conseguir o atendimento via SUS ou planos de forma gratuita.

Em relação às crianças, o tratamento é indicado porque o estímulo à comunicação e à socialização ajudará em um melhor desenvolvimento educacional. “Tem gente que alcança 90% de melhora”, avalia o psiquiatra. Walter Júnior diz conhecer, entretanto, pessoas autistas adultas que nunca fizeram tratamento e conseguiram se desenvolver normalmente.

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